EJA: como funciona a Educação de Jovens e Adultos e como se matricular
A Educação de Jovens e Adultos (EJA) é a modalidade gratuita da educação básica destinada a quem não concluiu o ensino fundamental ou o ensino médio na idade própria, prevista nos arts. 37 e 38 da LDB. A certificação por exame exige 15 anos para o fundamental e 18 anos para o médio. Em 2024, a EJA tinha 2.391.319 matrículas no Brasil.
Pontos-chave
- A EJA está prevista nos arts. 37 e 38 da Lei nº 9.394/1996, a LDB, e os sistemas de ensino devem oferecê-la gratuitamente, por meio de cursos e exames.
- Pela LDB, os exames de conclusão são feitos por maiores de quinze anos no ensino fundamental e por maiores de dezoito anos no ensino médio.
- A EJA registrou 2.391.319 matrículas em 2024, contra 3.653.530 em 2014, uma queda de 34,5% em dez anos, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025.
- Em 2024, 976.390 matrículas da EJA eram de ensino médio e 1.414.929 de ensino fundamental, e apenas 5,9% estavam integradas à educação profissional.
- O Encceja 2026 foi aplicado em 23 de agosto de 2026, é gratuito e certifica o ensino fundamental a partir de 15 anos completos e o ensino médio a partir de 18 anos completos.
- Estudantes de 19 a 24 anos matriculados na EJA pública podem participar do Pé-de-Meia, com frequência mínima de 80% e inscrição no CadÚnico, conforme a Lei nº 14.818/2024.
- Em 2024, 29% da população de 15 a 64 anos estava em situação de analfabetismo funcional, índice que chega a 51% na faixa de 50 a 64 anos.
O que é a EJA e para quem ela é destinada?
A Educação de Jovens e Adultos é a modalidade da educação básica criada para garantir o direito à escolarização de quem ficou fora da escola ou abandonou os estudos antes de concluir o ensino fundamental ou o ensino médio. Ela não é um curso livre: é oferta regular da rede pública, com certificação válida em todo o país.
O art. 37 da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, com redação dada pela Lei nº 13.632/2018, define que a EJA é destinada àqueles que não tiveram acesso ou continuidade de estudos nos ensinos fundamental e médio na idade própria e constitui instrumento para a educação e a aprendizagem ao longo da vida. O parágrafo 1º obriga os sistemas de ensino a assegurar essa oferta gratuitamente, considerando características, interesses, condições de vida e de trabalho dos estudantes.
A LDB também coloca o trabalhador no centro da política. O parágrafo 2º do art. 37 determina que o Poder Público viabilize e estimule o acesso e a permanência do trabalhador na escola, e o parágrafo 3º, incluído pela Lei nº 11.741/2008, estabelece que a EJA deve articular-se, preferencialmente, com a educação profissional.
EJA é a mesma coisa que supletivo?
Supletivo é o nome antigo, ainda muito usado, para os cursos e exames que hoje compõem a EJA. O próprio art. 38 da LDB menciona que os sistemas de ensino manterão cursos e exames supletivos, que compreendem a base nacional comum do currículo e habilitam ao prosseguimento de estudos em caráter regular.
A diferença prática é de formato. A EJA em curso tem aulas, frequência, avaliação contínua e duração definida pela rede de ensino. O exame de certificação, como o Encceja, dispensa as aulas e certifica o conhecimento em uma prova, o que atende quem já estudou por conta própria ou aprendeu fora da escola.
A LDB reconhece expressamente esse segundo caminho. O parágrafo 2º do art. 38 determina que os conhecimentos e habilidades adquiridos por meios informais sejam aferidos e reconhecidos mediante exames, o que dá base legal à certificação sem frequência a curso.
Quantas pessoas estudam na EJA no Brasil?
A EJA tinha 2.391.319 matrículas em 2024, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, publicado pelo Todos Pela Educação com dados do Censo Escolar do MEC e do Inep. O número representa queda em relação às 2.589.815 matrículas de 2023 e às 3.653.530 de 2014.
A comparação de dez anos é o dado mais forte. Entre 2014 e 2024, a EJA perdeu 34,5% das matrículas, o equivalente a mais de 1,2 milhão de estudantes, enquanto a demanda potencial por escolarização de adultos continua alta no país.
| Indicador da EJA | Valor | Ano | Fonte |
|---|---|---|---|
| Matrículas totais | 2.391.319 | 2024 | Censo Escolar, via Anuário 2025 |
| Matrículas totais | 2.589.815 | 2023 | Censo Escolar, via Anuário 2025 |
| Matrículas totais | 3.653.530 | 2014 | Censo Escolar, via Anuário 2025 |
| Queda de matrículas em dez anos | 34,5% | 2014 a 2024 | Anuário 2025 |
| Matrículas no ensino fundamental | 1.414.929 | 2024 | Censo Escolar, via Anuário 2025 |
| Matrículas no ensino médio | 976.390 | 2024 | Censo Escolar, via Anuário 2025 |
| EJA integrada à educação profissional | 140.042, ou 5,9% | 2024 | Censo Escolar, via Anuário 2025 |
Fonte: Todos Pela Educação, Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025.
O contraste com a demanda aparece nos dados de alfabetismo. Segundo o mesmo Anuário, com base no Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf), 29% da população de 15 a 64 anos estava em situação de analfabetismo funcional em 2024. O índice é de 16% entre jovens de 15 a 29 anos e sobe para 51% na faixa de 50 a 64 anos.
A integração com o mundo do trabalho ainda é pequena. Das matrículas de 2024, apenas 140.042, ou 5,9% do total, estavam na EJA integrada à educação profissional, apesar de a LDB determinar que a modalidade se articule preferencialmente com a formação profissional.
A escolaridade média dos jovens mostra que o problema não é apenas do passado. Segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, a escolaridade média da população de 18 a 29 anos subiu de 10,9 anos em 2014 para 11,9 anos em 2024, ainda abaixo dos 12 anos correspondentes à educação básica completa. Isso significa que parte relevante dos jovens adultos brasileiros continua sem o ensino médio concluído e é público direto da EJA.
Qual a idade mínima e o que a lei exige para estudar na EJA?
A idade mínima é o critério que mais gera dúvida e está fixada na própria LDB para os exames de conclusão. O art. 38, parágrafo 1º, determina que os exames sejam realizados no nível de conclusão do ensino fundamental para maiores de quinze anos e no nível de conclusão do ensino médio para maiores de dezoito anos.
O Inep aplica a mesma regra ao Encceja. Para fazer o exame, é necessário ter no mínimo 15 anos completos para o ensino fundamental e no mínimo 18 anos completos para o ensino médio, sempre na data de realização da prova.
| Regra da EJA | O que a norma determina | Base legal |
|---|---|---|
| Público da EJA | Quem não teve acesso ou continuidade de estudos na idade própria | LDB, art. 37 |
| Gratuidade | Oferta gratuita pelos sistemas de ensino, por cursos e exames | LDB, art. 37, parágrafo 1º |
| Idade para exame do fundamental | Maiores de quinze anos | LDB, art. 38, parágrafo 1º, I |
| Idade para exame do médio | Maiores de dezoito anos | LDB, art. 38, parágrafo 1º, II |
| Saberes informais | Aferidos e reconhecidos mediante exames | LDB, art. 38, parágrafo 2º |
| Educação profissional | Articulação preferencial com a formação profissional | LDB, art. 37, parágrafo 3º |
| Encceja | 15 anos completos para fundamental e 18 para médio | Edital Inep nº 27/2026 |
Fonte: Lei nº 9.394/1996 e Inep (2026).
A matrícula em curso de EJA segue as regras de cada rede estadual ou municipal, que definem calendário, formato e documentação. Em geral, as redes estaduais concentram a oferta de ensino médio e as redes municipais concentram a oferta de ensino fundamental.
Como funciona a EJA na prática?
A EJA funciona como curso regular da educação básica, com aulas, frequência e avaliação, mas com organização adaptada à realidade de quem trabalha ou tem responsabilidades familiares. A duração e o calendário são definidos por cada rede de ensino, dentro das diretrizes nacionais.
A oferta costuma se organizar em alguns formatos principais, que variam conforme a rede:
- EJA presencial: aulas regulares em escola da rede pública, normalmente no período noturno, com frequência obrigatória e avaliação ao longo do curso.
- EJA com parte a distância: combinação de encontros presenciais e atividades remotas, formato que amplia o acesso de quem tem jornada de trabalho longa ou mora longe da escola.
- EJA integrada à educação profissional: curso que combina a escolarização com formação técnica ou qualificação profissional, modelo que atendeu 5,9% das matrículas em 2024.
- Exames de certificação: provas como o Encceja, que certificam o conhecimento sem exigir frequência a curso, conforme o art. 38 da LDB.
- EJA em unidades prisionais e socioeducativas: oferta destinada a pessoas privadas de liberdade, parte do direito à educação garantido pela legislação.
A escolha entre curso e exame depende do ponto de partida do estudante. Quem ficou muitos anos fora da escola costuma se beneficiar do curso, com acompanhamento de professores. Quem domina o conteúdo, por estudo próprio ou experiência, pode buscar a certificação direta pelo exame.
Como se matricular na EJA passo a passo?
A matrícula na EJA é feita diretamente na rede pública e não tem custo. O roteiro abaixo organiza o caminho de quem quer voltar a estudar, desde a escolha da modalidade até o início das aulas ou a inscrição no exame.
- Identifique a etapa que falta concluir. Verifique no histórico escolar qual foi a última série concluída com aprovação. Isso define se a matrícula será nos anos iniciais ou finais do ensino fundamental, ou no ensino médio.
- Confirme a idade mínima da etapa desejada. Para certificação por exame, a LDB exige mais de quinze anos no ensino fundamental e mais de dezoito anos no ensino médio. O Encceja aplica a mesma regra, com idade completa na data da prova.
- Procure a secretaria de educação da sua cidade ou do seu estado. As redes municipais concentram a oferta de ensino fundamental e as redes estaduais a de ensino médio. Pergunte pelas escolas com turmas de EJA, os turnos disponíveis e o calendário de matrícula.
- Separe os documentos pessoais e escolares. Leve documento de identidade, CPF, comprovante de residência e o histórico escolar ou declaração da última série cursada. A falta do histórico não impede a matrícula, porque a rede pode fazer avaliação de classificação.
- Escolha entre curso e exame. Se preferir aulas, faça a matrícula na escola indicada. Se preferir certificação direta, acompanhe o edital do Encceja no portal do Inep, já que a edição de 2026 teve prova em 23 de agosto.
- Verifique o direito ao Pé-de-Meia. Estudantes de 19 a 24 anos matriculados na EJA pública e inscritos no CadÚnico com renda de até meio salário mínimo podem receber o incentivo, desde que mantenham frequência mínima de 80%.
- Planeje a rotina de estudo antes do início das aulas. Defina horários fixos, combine a rotina com trabalho e família e use técnicas de estudo com recuperação ativa, que rendem mais em pouco tempo disponível.
Para organizar a rotina com métodos que funcionam, o material sobre técnicas de estudo comprovadas pela ciência cognitiva traz estratégias aplicáveis a quem tem pouco tempo livre.
Qual a diferença entre EJA, Encceja e Enem para concluir os estudos?
Existem três caminhos principais para obter o certificado de conclusão da educação básica na idade adulta, e cada um atende a um perfil. A escolha errada custa tempo: quem precisa de acompanhamento e opta só pelo exame tende a desistir, e quem já domina o conteúdo e opta pelo curso perde meses.
O Encceja, realizado pelo Inep desde 2002, é voluntário e gratuito, e certifica tanto o ensino fundamental quanto o ensino médio. O Enem, por sua vez, também pode ser usado para certificação do ensino médio por participantes com 18 anos ou mais, e tem a vantagem de gerar nota para o Sisu, o Prouni e o Fies.
| Caminho | Para quem serve | Idade mínima | Vantagem principal |
|---|---|---|---|
| Curso de EJA | Quem precisa de aulas e acompanhamento | Definida pela rede de ensino | Professores, rotina e avaliação contínua |
| Encceja, ensino fundamental | Quem domina o conteúdo do fundamental | 15 anos completos | Prova única, gratuita, sem frequência |
| Encceja, ensino médio | Quem domina o conteúdo do médio | 18 anos completos | Prova única, gratuita, sem frequência |
| Enem para certificação | Quem quer certificar e entrar na faculdade | 18 anos | Nota vale para Sisu, Prouni e Fies |
| EJA integrada à educação profissional | Quem quer escolarização e profissão | Definida pela rede de ensino | Certificado escolar e qualificação juntos |
Fonte: elaboração própria com base na LDB, no Inep (2026) e no IFSC (2026).
Quem pretende seguir para o ensino superior deve considerar o Enem desde o início. O Enem 2026 foi aplicado em 8 e 15 de novembro, com resultado previsto para meados de janeiro de 2027, e a mesma nota que certifica o ensino médio serve para disputar vagas e bolsas. O caminho está detalhado no guia sobre como usar a nota do Enem no Sisu, no Prouni e no Fies.
Estudante da EJA recebe Pé-de-Meia?
Sim, em condições definidas. O Pé-de-Meia, instituído pela Lei nº 14.818/2024 e regulamentado pelo Decreto nº 11.901/2024, inclui estudantes de 19 a 24 anos matriculados na EJA da rede pública, segundo o Portal da Transparência do governo federal.
Os requisitos são objetivos. O estudante precisa estar inscrito no Cadastro Único para Programas Sociais, com renda familiar de até meio salário mínimo por pessoa, e manter frequência mínima de 80% no mês ou no período letivo.
A tabela do programa prevê incentivos em várias etapas: R$ 200 de incentivo-matrícula uma vez por ano, até R$ 1.800 por ano em até 8 parcelas de R$ 225 de incentivo-frequência, R$ 1.000 por etapa concluída e R$ 200 pela participação nos dois dias do Enem. As regras de aplicação para cada modalidade são as publicadas pelo MEC e pelo Portal da Transparência.
Quais erros mais atrapalham quem volta a estudar?
A volta aos estudos na idade adulta costuma falhar menos por falta de capacidade e mais por decisões iniciais equivocadas. Os erros abaixo são os mais comuns, com a consequência de cada um.
- Escolher o exame sem avaliar o próprio nível: quem está há muitos anos fora da escola e tenta o Encceja sem preparação costuma não atingir a nota mínima e desistir, perdendo a motivação para o curso regular.
- Ignorar a idade mínima: tentar o exame de ensino médio antes dos 18 anos completos na data da prova, regra da LDB e do Encceja, leva à eliminação ou à impossibilidade de certificação.
- Deixar de buscar o histórico escolar: sem o documento, o estudante pode ser reclassificado em etapa anterior à que já cursou, o que alonga o tempo até a conclusão.
- Não verificar o direito ao Pé-de-Meia: estudantes de 19 a 24 anos no CadÚnico perdem incentivo financeiro que ajudaria a manter a frequência de 80% exigida pelo programa.
- Montar rotina incompatível com o trabalho: matricular-se em turno que conflita com a jornada é a principal causa de abandono, e a solução é escolher turno e formato antes da matrícula.
- Descartar a EJA integrada à educação profissional: apenas 5,9% das matrículas de 2024 estavam nesse formato, e quem ignora a opção perde a chance de sair com certificado e qualificação ao mesmo tempo.
- Não planejar o passo seguinte: concluir a EJA sem pensar em Enem, curso técnico ou ensino superior desperdiça o momento de maior motivação do estudante.
Como a Central de Ensino ajuda quem volta a estudar?
A Central de Ensino acompanha as regras da educação básica e traduz cada mudança em orientação prática para estudantes, famílias e professores. Para quem está na EJA ou pensa em voltar a estudar, o blog reúne conteúdo sobre certificação, acesso ao ensino superior e métodos de estudo.
O acervo cobre as decisões que mais pesam nessa trajetória. Para a estrutura do ensino médio regular, que serve de referência para a EJA dessa etapa, há o material sobre o que mudou no novo ensino médio. Para o acesso à faculdade, há os guias sobre o Enem e os programas que usam a nota. Para a rotina, há as técnicas de estudo apoiadas em pesquisa.
A orientação editorial é sempre partir da regra oficial. A LDB, o edital do Encceja publicado pelo Inep e as normas do Pé-de-Meia são as referências que definem idade, prazos, documentos e direitos, e cada material do blog indica a fonte correspondente.
Perguntas frequentes sobre a EJA
O que é EJA?
EJA é a Educação de Jovens e Adultos, modalidade gratuita da educação básica destinada a quem não concluiu o ensino fundamental ou o ensino médio na idade própria. Está prevista nos arts. 37 e 38 da LDB e é oferecida pelas redes públicas municipais e estaduais.
Qual a idade mínima para fazer EJA?
Para certificação por exame, a LDB exige mais de quinze anos no ensino fundamental e mais de dezoito anos no ensino médio. No Encceja, a regra é ter 15 anos completos para o fundamental e 18 anos completos para o médio na data da prova.
A EJA é gratuita?
Sim. O art. 37, parágrafo 1º, da LDB determina que os sistemas de ensino assegurem gratuitamente aos jovens e adultos oportunidades educacionais apropriadas, mediante cursos e exames. O Encceja, exame de certificação aplicado pelo Inep, também é gratuito.
Quanto tempo dura a EJA?
A duração da EJA é definida por cada rede de ensino, dentro das diretrizes nacionais, e costuma ser menor que a do ensino regular, por ser organizada em módulos ou semestres. Consulte a secretaria de educação da sua cidade ou do seu estado para saber a duração exata.
Como fazer a matrícula na EJA?
Procure a secretaria municipal de educação, para o ensino fundamental, ou a estadual, para o ensino médio, e pergunte pelas escolas com turmas de EJA. Leve documento de identidade, CPF, comprovante de residência e histórico escolar ou declaração da última série cursada.
Posso fazer EJA sem o histórico escolar?
Sim. A falta do histórico escolar não impede a matrícula, porque a rede de ensino pode aplicar uma avaliação de classificação para definir a etapa adequada. O histórico, quando disponível, evita que o estudante seja posicionado em etapa anterior à que já concluiu.
EJA é o mesmo que supletivo?
Supletivo é o nome antigo para os cursos e exames que hoje compõem a EJA. O art. 38 da LDB ainda usa a expressão cursos e exames supletivos, que compreendem a base nacional comum do currículo e habilitam ao prosseguimento de estudos em caráter regular.
Quantas pessoas estudam na EJA?
Em 2024, a EJA tinha 2.391.319 matrículas, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025, com dados do Censo Escolar. Desse total, 1.414.929 eram de ensino fundamental e 976.390 de ensino médio, e 140.042 estavam integradas à educação profissional.
As matrículas na EJA estão caindo?
Sim. A EJA passou de 3.653.530 matrículas em 2014 para 2.391.319 em 2024, queda de 34,5% em dez anos, segundo o Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025. Entre 2023 e 2024, o número caiu de 2.589.815 para 2.391.319 matrículas.
O que é o Encceja?
O Encceja é o Exame Nacional para Certificação de Competências de Jovens e Adultos, aplicado pelo Inep desde 2002. É voluntário, gratuito e certifica o ensino fundamental, a partir de 15 anos completos, e o ensino médio, a partir de 18 anos completos, sem exigir frequência a curso.
Quando foi o Encceja 2026?
A prova do Encceja 2026 foi aplicada em 23 de agosto de 2026, em todos os estados e no Distrito Federal, conforme o Edital nº 27, de 30 de março de 2026. O Inep liberou a consulta ao cartão de confirmação em 10 de agosto de 2026.
Como pegar o certificado depois do Encceja?
Após a prova, o participante aprovado solicita a certificação à instituição certificadora indicada no sistema de inscrição do Encceja. É essa instituição, geralmente uma secretaria de educação ou um instituto federal, que emite o certificado de conclusão do ensino fundamental ou do ensino médio.
Dá para concluir o ensino médio pelo Enem?
Sim. A nota do Enem pode ser usada para certificação de conclusão do ensino médio por participantes com 18 anos ou mais. A vantagem é que a mesma nota também serve para concorrer a vagas no Sisu, a bolsas no Prouni e a financiamento pelo Fies.
Estudante da EJA recebe Pé-de-Meia?
Sim, se tiver entre 19 e 24 anos, estiver matriculado na EJA da rede pública, inscrito no CadÚnico com renda de até meio salário mínimo por pessoa e mantiver frequência mínima de 80%. O programa foi instituído pela Lei nº 14.818/2024.
Quanto paga o Pé-de-Meia?
A tabela do programa prevê R$ 200 de incentivo-matrícula por ano, até R$ 1.800 anuais em até 8 parcelas de R$ 225 de incentivo-frequência, R$ 1.000 por etapa concluída e R$ 200 pela participação nos dois dias do Enem, segundo o Portal da Transparência.
Existe EJA a distância?
Sim. Muitas redes oferecem EJA com parte das atividades a distância, combinada a encontros presenciais. O formato amplia o acesso de quem tem jornada longa ou mora longe da escola, mas as regras variam conforme a rede, que define carga horária e avaliação presencial.
O que é EJA integrada à educação profissional?
É o curso de EJA que combina escolarização com formação técnica ou qualificação profissional. A LDB determina que a EJA se articule preferencialmente com a educação profissional, mas em 2024 apenas 140.042 matrículas, ou 5,9% do total, estavam nesse formato.
O certificado da EJA vale para faculdade?
Sim. O certificado de conclusão do ensino médio obtido pela EJA ou pelo Encceja tem a mesma validade do certificado do ensino regular e permite a matrícula no ensino superior, desde que o estudante seja aprovado no processo seletivo da instituição.
Por que tantos adultos precisam da EJA?
Porque a escolarização incompleta ainda é ampla no país. Em 2024, 29% da população de 15 a 64 anos estava em situação de analfabetismo funcional, segundo o Inaf, índice que chega a 51% entre pessoas de 50 a 64 anos.
Quem trabalha consegue fazer EJA?
Sim. A EJA foi pensada para trabalhadores, e o art. 37, parágrafo 2º, da LDB determina que o Poder Público viabilize e estimule o acesso e a permanência do trabalhador na escola. A oferta é concentrada no período noturno e em formatos com parte a distância.
Conclusão
A EJA é o caminho legal e gratuito para concluir a educação básica na idade adulta, com regras claras na LDB: exames de conclusão a partir de quinze anos no fundamental e dezoito anos no médio, oferta obrigatória pelos sistemas de ensino e articulação preferencial com a educação profissional. Com as matrículas caindo de 3.653.530 em 2014 para 2.391.319 em 2024, a informação sobre como se matricular, quando fazer o Encceja e quem tem direito ao Pé-de-Meia faz diferença real. Escolha o caminho adequado ao seu perfil e use os guias da Central de Ensino para planejar os próximos passos.
Como citar este artigo
ABNT: CENTRAL DE ENSINO. EJA: como funciona a Educação de Jovens e Adultos e como se matricular. Central de Ensino, 20 set. 2026. Disponível em: https://centraldeensino.com.br/eja-educacao-de-jovens-e-adultos-como-funciona/. Acesso em: 20 set. 2026.
APA: Central de Ensino. (2026, 20 de setembro). EJA: como funciona a Educação de Jovens e Adultos e como se matricular. Central de Ensino. https://centraldeensino.com.br/eja-educacao-de-jovens-e-adultos-como-funciona/
Referências
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Encceja 2026: Inep libera consulta ao cartão de inscrição. Brasília: Inep, 10 ago. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/encceja/encceja-2026-inep-libera-consulta-ao-cartao-de-inscricao. Acesso em: 20 set. 2026.
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Enem. Brasília: Inep, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enem. Acesso em: 20 set. 2026.
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Enem: Faltam 60 dias para a aplicação da prova. Brasília: Inep, 9 set. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/enem/enem-faltam-60-dias-para-a-aplicacao-da-prova. Acesso em: 20 set. 2026.
BRASIL. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as diretrizes e bases da educação nacional. Brasília: Presidência da República, 1996. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm. Acesso em: 20 set. 2026.
BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC. Disponível em: https://basenacionalcomum.mec.gov.br/. Acesso em: 20 set. 2026.
BRASIL. Portal da Transparência. Pé-de-Meia: perguntas frequentes. Brasília: CGU. Disponível em: https://portaldatransparencia.gov.br/pe-de-meia. Acesso em: 20 set. 2026.
INSTITUTO FEDERAL DE SANTA CATARINA. Inscrições do Enem 2026 serão de 25 de maio a 5 de junho. IFSC, 2026. Disponível em: https://www.ifsc.edu.br/en/web/noticias/w/inscricoes-do-enem-2026-serao-de-25-de-maio-a-5-de-junho. Acesso em: 20 set. 2026.
TODOS PELA EDUCAÇÃO. Anuário Brasileiro da Educação Básica 2025: capítulo 5, Educação de Jovens e Adultos. São Paulo: Todos Pela Educação, 2025. Disponível em: https://anuario.todospelaeducacao.org.br/2025/capitulo-5-educacao-de-jovens-e-adultos.html. Acesso em: 20 set. 2026.
