Crase: quando usar, quando não usar e todas as regras com exemplos
A crase é a fusão de dois sons iguais, e na escrita ela aparece quando a preposição “a” se junta ao artigo feminino “a” ou aos demonstrativos “aquele”, “aquela” e “aquilo”. O sinal que marca essa fusão é o acento grave, conforme a regra 16ª do capítulo XII do Formulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras. Sem os dois “a”, não há crase.
Pontos-chave
- Segundo o Formulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras, aprovado em 29 de janeiro de 1942, o acento grave assinala as contrações da preposição “a” com o artigo “a” e com os demonstrativos, gerando “à”, “às”, “àquele”, “àquela”, “àqueles”, “àquelas”, “àquilo” e “àqueloutro”.
- O acadêmico Evanildo Bechara, da Academia Brasileira de Letras, explica que o acento grave marca o timbre aberto em locuções como “à vela”, “à noite”, “à força”, “à mão”, “à toa” e “à distância”.
- Não existe crase antes de palavra masculina, de verbo, de pronome pessoal e da maioria dos pronomes de tratamento, porque nesses casos não há artigo feminino para se fundir com a preposição.
- A crase é facultativa antes de nome próprio feminino de pessoa, antes de pronome possessivo feminino e depois da palavra “até”.
- O Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa (VOLP), mantido pela Academia Brasileira de Letras, está na 5ª edição, de 2009, e reúne 381 mil verbetes na busca on-line.
- A competência 1 da redação do Enem cobra domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, e cada uma das cinco competências vale de 0 a 200 pontos, segundo o Ministério da Educação.
- O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, promulgado pelo Decreto nº 6.583, de 29 de setembro de 2008, não alterou as regras de uso do acento grave.
O que é crase e o que o acento grave indica?
Crase é o nome do fenômeno fonético de fusão de duas vogais idênticas em uma só. Na língua portuguesa escrita, a crase que interessa à ortografia é a do encontro entre a preposição “a” e o artigo definido feminino “a”, ou entre a preposição “a” e os pronomes demonstrativos iniciados por “a”.
O Formulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras, aprovado em 29 de janeiro de 1942 e tomado como base para a organização do Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, é explícito na regra 16ª do capítulo XII: o acento grave assinala as contrações da preposição “a” com o artigo “a” e com os adjetivos ou pronomes demonstrativos. Dessa regra nascem as formas “à”, “às”, “àquele”, “àquela”, “àqueles”, “àquelas”, “àquilo” e “àqueloutro”.
A confusão mais comum do estudante brasileiro é tratar crase e acento grave como sinônimos. Crase é o fenômeno; acento grave é o sinal gráfico que registra o fenômeno. Dizer “a palavra tem crase” é aceitável na fala escolar, mas o que se escreve é o acento grave sobre a letra “a”.
Crase é a mesma coisa que acento grave?
Não. O acento grave é o único sinal usado em português para marcar a crase, mas os dois conceitos operam em planos diferentes. A crase pertence à fonética e à morfossintaxe, porque depende de haver preposição exigida por um termo e artigo exigido por outro. O acento grave pertence à ortografia.
Essa distinção tem consequência prática. Como o acento grave depende da fusão de preposição com artigo, ele nunca aparece por decisão estilística. Ou os dois elementos estão presentes na estrutura da frase, e o acento é obrigatório, ou um deles falta, e o acento é erro.
Evanildo Bechara, acadêmico da Academia Brasileira de Letras, acrescenta um argumento sonoro a essa lógica. Segundo Bechara, o acento grave marca o timbre aberto da vogal, o que separa expressões como “à noite”, “à força” e “à vela”, em que há fusão, de expressões como “a primeira vez”, “a segunda vez” e “a semana passada”, em que o “a” é apenas artigo.
Quando a crase é obrigatória?
A crase é obrigatória sempre que um termo exige a preposição “a” e o termo seguinte admite o artigo feminino “a”. O teste mais confiável é a substituição por uma palavra masculina equivalente: se o resultado pedir “ao”, a forma feminina pede “à”.
A frase “Ele se referiu à proposta” comprova o mecanismo. Trocando por um masculino, aparece “Ele se referiu ao projeto”. O “ao” revela preposição mais artigo, e a versão feminina exige o acento grave.
| Situação | Exemplo correto | Por que há crase |
|---|---|---|
| Verbo que exige preposição “a” mais substantivo feminino | Assisti à aula de português | Substituição masculina dá “ao curso” |
| Locução adverbial feminina | Ele saiu à noite | O acento marca o timbre aberto, conforme Bechara |
| Locução prepositiva feminina | Ficamos à espera do resultado | Locução fixa com substantivo feminino |
| Locução conjuntiva feminina | À medida que estudava, melhorava | Locução fixa consagrada no padrão formal |
| Indicação de horas determinadas | A prova começa às 13h30 | Substituição por “ao meio-dia” confirma a fusão |
| Demonstrativos iniciados por “a” | Refiro-me àquele texto | Contração prevista na regra 16ª do Formulário Ortográfico |
| Pronome relativo “a qual” com verbo preposicionado | A escola à qual me refiro | Preposição exigida pelo verbo mais artigo do relativo |
Fonte: elaboração própria com base na Academia Brasileira de Letras (1942) e em Bechara (ABL).
As locuções merecem destaque porque não dependem de análise, e sim de reconhecimento. Bechara lista como exemplos de locução com acento grave “à vela”, “à lenha”, “à noite”, “à força”, “à mão”, “à míngua”, “à toa”, “à pressa” e “à distância”. Em todas, o falante ouve a vogal aberta, e a escrita registra o acento.
A indicação de horas segue a mesma regra dos demais casos, sem exceção especial. Quando a hora é determinada e o verbo pede preposição, escreve-se “às 8h”, “às 13h30”, “à uma hora”. Quando a hora vem precedida de “para” ou de “desde”, o acento desaparece, como em “de uma às duas” e “para as duas”.
Quando a crase é proibida?
A crase é proibida sempre que falta um dos dois elementos da fusão. Como o artigo “a” só acompanha palavras femininas, e a preposição “a” só aparece quando um termo a exige, a ausência de qualquer um dos dois elimina o acento grave.
O erro mais frequente em redações de vestibular e de concurso é o acento diante de palavra masculina. Em “Vendas a prazo” e “Andar a pé”, não existe artigo feminino, então não existe crase, por mais que o ouvido peça uma pausa.
| Caso proibido | Exemplo correto | Explicação |
|---|---|---|
| Antes de palavra masculina | Comprei a prazo | Não há artigo feminino para fundir com a preposição |
| Antes de verbo no infinitivo | Ele começou a estudar | Verbo não admite artigo |
| Antes de pronome pessoal | Entreguei a ela o resultado | Pronome pessoal não admite artigo |
| Antes da maioria dos pronomes de tratamento | Dirijo-me a Vossa Excelência | Pronome de tratamento dispensa artigo |
| Entre palavras femininas repetidas | Ficaram cara a cara | Expressão sem artigo entre os termos |
| Antes de nome de cidade sem especificação | Viajei a Brasília | A cidade não pede artigo nessa construção |
| Antes de numeral cardinal | Compareceram a 30 pessoas | Numeral cardinal não admite artigo |
Fonte: elaboração própria com base na Academia Brasileira de Letras e no Manual de Redação da Presidência da República (2002).
O caso dos pronomes de tratamento é tão recorrente que a própria Academia Brasileira de Letras usa o exemplo. No serviço ABL Responde, a Academia pede que dúvidas sobre crase venham em situações concretas e cita, como modelo de pergunta válida, a alternativa entre “Dirijo-me a V. Ex.ª” e “Dirijo-me à V. Ex.ª”. A forma correta é a primeira, sem acento, porque os pronomes de tratamento não vêm acompanhados de artigo.
O nome de cidade exige um cuidado extra, porque a proibição não é absoluta. Sem especificação, escreve-se “Viajei a Salvador”. Com especificação, o nome passa a admitir artigo e o acento volta, como em “Viajei à Salvador de Jorge Amado”. O teste prático é trocar “a” por “de”: se o resultado for “vim de Salvador”, não há artigo; se for “vim da Salvador de Jorge Amado”, há.
Em que casos a crase é facultativa?
Existem três situações clássicas em que a norma padrão aceita as duas formas, com e sem acento grave. Facultativo, nesse contexto, significa que o autor escolhe, e nenhuma das opções pode ser marcada como erro em correção de prova.
- Antes de nome próprio feminino de pessoa: “Entreguei a prova a Maria” e “Entreguei a prova à Maria” são aceitas, porque o nome de pessoa admite artigo de modo opcional na variedade brasileira.
- Antes de pronome possessivo feminino: “Referiu-se a sua turma” e “Referiu-se à sua turma” convivem, já que o possessivo também admite artigo facultativo.
- Depois da palavra “até”: “Fui até a secretaria” e “Fui até à secretaria” são registradas, porque “até” pode ou não exigir a preposição “a” em sequência.
A escolha, ainda assim, não é indiferente na prática textual. Em redação formal, a recomendação é manter coerência ao longo do texto inteiro: quem escreve “à Maria” no primeiro parágrafo não deve escrever “a Joana” no terceiro, porque a alternância sem motivo enfraquece a impressão de domínio da norma.
Na correção do Enem, essa coerência entra na competência 1, que cobra domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa e vale de 0 a 200 pontos, segundo o Ministério da Educação. O detalhamento completo dos critérios está no guia sobre as cinco competências da redação do Enem.
Como saber se usa crase passo a passo?
O caminho mais seguro para decidir sobre a crase não é decorar listas, e sim aplicar uma sequência fixa de testes. Os seis passos abaixo resolvem a quase totalidade dos casos que aparecem em prova.
- Verifique se a palavra seguinte é feminina. Se for masculina, encerre a análise: não há crase, como em “Vendas a prazo” e “Cheguei a pé”. A única exceção aparente é a expressão “à moda de” subentendida, como em “bife à milanesa”, que equivale a “bife à moda milanesa”.
- Verifique se a palavra seguinte é substantivo. Diante de verbo no infinitivo, de pronome pessoal e de numeral cardinal não existe artigo, então também não existe crase, como em “Passou a ler”, “Entreguei a ela” e “Assistiram a 40 jogos”.
- Aplique o teste do masculino. Troque a palavra feminina por um masculino equivalente e observe o resultado: se aparecer “ao”, escreva “à”; se aparecer apenas “a” ou “o”, não use o acento. “Obedeço à regra” vira “Obedeço ao regulamento”, o que confirma a crase.
- Aplique o teste do “para a” nos nomes de lugar. Se a frase aceitar “vou para a” e “vim da”, o lugar pede artigo e o acento é obrigatório. Se aceitar “vou para” e “vim de”, não há artigo, como em “Vou a Brasília”.
- Reconheça as locuções de memória. Locuções adverbiais, prepositivas e conjuntivas femininas levam acento grave, como “à noite”, “à vista”, “à espera de”, “à medida que” e “à custa de”. Bechara registra essa lista como caso de timbre aberto marcado pelo acento.
- Confira os demonstrativos. Quando o verbo exige a preposição “a” e o termo seguinte é “aquele”, “aquela”, “aqueles”, “aquelas” ou “aquilo”, a contração é obrigatória, conforme a regra 16ª do Formulário Ortográfico: “Refiro-me àquilo”, “Assisti àquela aula”.
Quem prepara redação para vestibular encontra a aplicação desses testes em textos completos no material sobre as competências da redação do Enem e o que zera a nota.
Como a crase aparece em provas e concursos públicos?
A crase é conteúdo permanente das provas de língua portuguesa porque permite testar, em uma única linha, o domínio de regência verbal, regência nominal e classe de palavras. O candidato que sabe apenas a regra decorada erra, porque a banca costuma esconder a pegadinha na regência do verbo, não no acento.
No Enem, a cobrança é indireta e aparece na redação. O exame aplica 180 questões objetivas em quatro áreas do conhecimento, entre elas linguagens, códigos e suas tecnologias, e exige um texto dissertativo-argumentativo, segundo o Inep. É nesse texto que o uso indevido do acento grave pesa, porque a competência 1 mede domínio da modalidade escrita formal.
Em concursos públicos, a cobrança é direta e objetiva. As bancas trabalham com frases curtas em que o candidato deve julgar se o acento está correto, e o texto de referência costuma ser a redação oficial, orientada pelo Manual de Redação da Presidência da República, cuja 2ª edição revista e atualizada é de 2002 e trata expressamente dos pronomes de tratamento.
| Contexto de prova | Como a crase é cobrada | O que estudar primeiro |
|---|---|---|
| Redação do Enem | Uso correto no próprio texto, dentro da competência 1 | Locuções adverbiais e teste do masculino |
| Questão objetiva de concurso | Julgamento de certo ou errado em frases curtas | Regência verbal e regência nominal |
| Redação oficial de concurso | Tratamento de autoridades e expressões formais | Pronomes de tratamento sem artigo |
| Vestibular tradicional | Análise sintática do período | Diferença entre artigo, preposição e demonstrativo |
| Prova de língua portuguesa em geral | Casos facultativos e casos proibidos | Lista de proibições e lista de facultativos |
Fonte: elaboração própria com base em Inep (2026), MEC (2026) e Manual de Redação da Presidência da República (2002).
Há um detalhe de método que separa quem acerta de quem chuta. A crase depende da regência do termo anterior, então o estudo eficiente começa pelos verbos que exigem a preposição “a”, como assistir no sentido de ver, obedecer, referir-se, dirigir-se, aludir e visar no sentido de ter por objetivo. Sem essa base, nenhum macete funciona, porque o candidato não identifica a preposição que inicia a fusão.
Quem estuda para concurso encontra um roteiro completo de organização por disciplina no material sobre como estudar para concurso público do zero.
Quais erros de crase mais aparecem em redações?
Os erros de crase raramente vêm de desconhecimento total da regra. Eles vêm de automatismos: o autor escreve como fala, ou repete uma construção que viu em placa, cartaz ou legenda. A lista abaixo reúne os deslizes mais caros, com a consequência de cada um.
- Acentuar diante de palavra masculina, como em “a prazo” escrito com acento: o erro é imediato e sinaliza falta de domínio da noção de artigo, o que reduz a nota na competência que mede norma padrão.
- Acentuar diante de verbo, como em “começou à estudar”: o infinitivo nunca admite artigo, então o acento denuncia que o autor escreve pelo som e não pela estrutura.
- Acentuar diante de pronome de tratamento, como em “à Vossa Excelência”: a forma correta é “a Vossa Excelência”, e o erro é especialmente grave em redação oficial, tipo de texto cobrado em concursos.
- Esquecer o acento em locuções fixas, como escrever “as vezes” no lugar de “às vezes”: a locução é consagrada e o esquecimento muda o sentido da frase para o leitor atento.
- Trocar “aquele” por “àquele” sem checar a regência, como em “vi àquele filme”: o verbo “ver” não exige preposição, então não há contração a marcar.
- Usar acento diante de nome de cidade que não pede artigo, como em “viajei à Brasília”: sem especificação, a cidade não admite artigo, e o teste “vim de Brasília” resolve a dúvida.
- Aplicar o acento em “a partir de”, construção que nunca leva acento grave: o erro é frequente porque o falante associa a expressão a outras locuções femininas acentuadas.
Como a Central de Ensino ajuda a dominar a crase?
A Central de Ensino trata a crase como parte do bloco de norma padrão que decide nota em redação e em prova objetiva, e não como um tópico isolado de gramática. O material do blog parte sempre da estrutura da frase, porque é a regência que aciona a preposição e cria a condição da fusão.
O acervo cobre os três usos práticos do tema. Para o Enem, há o detalhamento das cinco competências da redação e dos critérios que zeram a nota, campo em que o domínio da modalidade escrita formal é avaliado de 0 a 200 pontos. Para concursos, há o roteiro de estudo por disciplina, com a regência verbal posicionada antes dos macetes. Para o estudo contínuo, há os guias de preparação por etapa do calendário.
A recomendação editorial é sempre voltar à fonte oficial quando a dúvida persistir. A Academia Brasileira de Letras mantém o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, na 5ª edição de 2009, com 381 mil verbetes disponíveis em busca on-line, e o serviço ABL Responde, que aceita perguntas de crase desde que apresentadas em situações concretas, com exemplo escrito.
Vale registrar o que não mudou. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa em 16 de dezembro de 1990 e promulgado no Brasil pelo Decreto nº 6.583, de 29 de setembro de 2008, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, alterou hífen e acentuação de outras classes, mas não tocou nas regras do acento grave.
Perguntas frequentes sobre crase
O que é crase em uma frase?
Crase é a fusão de duas vogais iguais, e na escrita do português corresponde ao encontro da preposição “a” com o artigo feminino “a” ou com os demonstrativos “aquele”, “aquela” e “aquilo”. O sinal que registra essa fusão é o acento grave, como em “Assisti à aula”.
Crase e acento grave são a mesma coisa?
Não. A crase é o fenômeno de fusão das duas vogais, e o acento grave é o sinal gráfico que marca esse fenômeno na escrita. O Formulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras trata o acento grave como marca das contrações da preposição com artigo e demonstrativos.
Qual é o teste mais fácil para saber se tem crase?
O teste do masculino é o mais confiável. Troque a palavra feminina por um masculino equivalente: se a frase pedir “ao”, use o acento grave; se pedir apenas “a” ou “o”, não use. “Obedeço à regra” vira “Obedeço ao regulamento”, o que confirma a crase.
Tem crase antes de palavra masculina?
Não. Sem palavra feminina não existe artigo “a” para se fundir com a preposição, então não existe crase. Escreve-se “a prazo”, “a pé”, “a lápis” e “a cavalo”, todas sem acento grave, mesmo quando a pronúncia sugere uma vogal mais aberta.
Tem crase antes de verbo?
Não. Verbo no infinitivo não admite artigo, então nunca há fusão a marcar. Escreve-se “começou a estudar”, “passou a ler”, “voltou a insistir”, sempre sem acento grave, independentemente de o verbo anterior exigir ou não a preposição “a”.
Tem crase antes de pronome pessoal?
Não. Pronomes pessoais como “ela”, “elas”, “você” e “mim” não admitem artigo, então a preposição aparece sozinha. Escreve-se “Entreguei a ela o resultado” e “Isso cabe a mim”, sempre sem acento grave sobre a preposição.
Usa crase antes de Vossa Excelência?
Não. Os pronomes de tratamento não vêm acompanhados de artigo, então a forma correta é “Dirijo-me a Vossa Excelência”, sem acento. A própria Academia Brasileira de Letras usa esse par como exemplo de dúvida concreta no serviço ABL Responde.
Quando a crase é facultativa?
A crase é facultativa em três situações: antes de nome próprio feminino de pessoa, antes de pronome possessivo feminino e depois da palavra “até”. Nesses casos, “a Maria” e “à Maria”, “a sua turma” e “à sua turma”, “até a porta” e “até à porta” são igualmente aceitas.
Como fica a crase antes de nome de cidade?
Depende de a cidade admitir artigo. Sem especificação, escreve-se “Viajei a Brasília”. Com especificação, o artigo aparece e o acento também, como em “Viajei à Brasília dos anos 1960”. O teste é trocar por “vim de” ou “vim da” e observar o resultado.
Tem crase em “à distância”?
Sim. “À distância” é locução adverbial feminina e recebe acento grave, e Evanildo Bechara, acadêmico da Academia Brasileira de Letras, a lista entre os casos de timbre aberto marcado pelo acento, ao lado de “à noite”, “à força”, “à mão” e “à toa”.
Tem crase em “a partir de”?
Não. A expressão “a partir de” nunca recebe acento grave, porque “partir” é verbo no infinitivo e verbo não admite artigo. O erro é comum porque o falante associa a construção a outras locuções femininas que levam acento, como “à medida que”.
Como usar crase em horas?
Use acento grave quando a hora é determinada e o termo anterior exige a preposição “a”: “A prova começa às 13h30”, “Chegou à uma hora”. Não use depois de “para” e “desde”, como em “para as duas” e “desde as oito”, que dispensam o acento.
Tem crase em “às vezes”?
Sim. “Às vezes” é locução adverbial feminina de tempo e leva acento grave obrigatoriamente. Escrever “as vezes” sem acento muda a leitura da expressão e configura erro de norma padrão, um dos deslizes mais frequentes em redações de vestibular e de concurso.
Quando usar “àquele” e “àquilo”?
Use a forma com acento quando o termo anterior exige a preposição “a”. A regra 16ª do capítulo XII do Formulário Ortográfico prevê essa contração, que produz “àquele”, “àquela”, “àqueles”, “àquelas” e “àquilo”, como em “Refiro-me àquele texto” e “Assisti àquilo”.
Tem crase em “à medida que”?
Sim. “À medida que” é locução conjuntiva e recebe acento grave. Ela indica proporção, como em “À medida que estudava, melhorava o desempenho”. Não confunda com “na medida em que”, que indica causa e não leva acento grave por não conter a fusão.
A crase cai no Enem?
Sim, de forma indireta. O Enem aplica 180 questões objetivas em quatro áreas, segundo o Inep, e cobra uma redação dissertativo-argumentativa. O uso correto do acento grave entra na competência 1, que mede domínio da modalidade escrita formal e vale de 0 a 200 pontos.
Errar crase zera a redação do Enem?
Não. Nenhum erro isolado de acentuação zera a redação do Enem. A nota da competência 1 é reduzida conforme a quantidade e a gravidade dos desvios de norma padrão, e cada uma das cinco competências é pontuada de 0 a 200 pontos por dois avaliadores independentes.
O Acordo Ortográfico mudou as regras de crase?
Não. O Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, assinado em Lisboa em 16 de dezembro de 1990 e promulgado no Brasil pelo Decreto nº 6.583, de 29 de setembro de 2008, com efeitos desde 1º de janeiro de 2009, alterou hífen e acentuação de outras classes, sem tocar no acento grave.
Onde consultar a grafia oficial de uma palavra?
Consulte o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa, mantido pela Academia Brasileira de Letras. O VOLP está na 5ª edição, de 2009, e reúne 381 mil verbetes na busca on-line, com classificação gramatical de cada entrada, o que ajuda a identificar gênero e, portanto, a possibilidade de artigo.
Como treinar crase de forma eficiente?
Estude primeiro a regência dos verbos que exigem a preposição “a”, como obedecer, referir-se, dirigir-se, aludir e assistir no sentido de ver. Depois aplique o teste do masculino em frases reais e memorize as locuções fixas. Macete sem regência produz acerto por sorte.
Conclusão
A crase deixa de ser um mistério quando o estudante entende que ela não é uma questão de som, e sim de estrutura: existe acento grave quando há preposição “a” exigida por um termo e artigo feminino “a” admitido pelo termo seguinte, exatamente como determina a regra 16ª do capítulo XII do Formulário Ortográfico da Academia Brasileira de Letras. Aplique o teste do masculino, memorize as locuções e revise a regência dos verbos antes de qualquer macete. Continue a preparação com os guias de redação e de norma padrão da Central de Ensino.
Como citar este artigo
ABNT: CENTRAL DE ENSINO. Crase: quando usar, quando não usar e todas as regras com exemplos. Central de Ensino, 20 set. 2026. Disponível em: https://centraldeensino.com.br/crase-quando-usar-regras-exemplos/. Acesso em: 20 set. 2026.
APA: Central de Ensino. (2026, 20 de setembro). Crase: quando usar, quando não usar e todas as regras com exemplos. Central de Ensino. https://centraldeensino.com.br/crase-quando-usar-regras-exemplos/
Referências
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. ABL Responde. Rio de Janeiro: ABL. Disponível em: https://www.academia.org.br/nossa-lingua/abl-responde. Acesso em: 20 set. 2026.
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Formulário Ortográfico. Rio de Janeiro: ABL, 1942. Disponível em: https://www.academia.org.br/nossa-lingua/formulario-ortografico. Acesso em: 20 set. 2026.
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa. 5. ed. Rio de Janeiro: ABL, 2009. Disponível em: https://www.academia.org.br/nossa-lingua/busca-no-vocabulario. Acesso em: 20 set. 2026.
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BRASIL. Decreto nº 6.583, de 29 de setembro de 2008. Promulga o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. Brasília: Presidência da República, 2008. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/decreto/d6583.htm. Acesso em: 20 set. 2026.
BRASIL. Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira. Enem. Brasília: Inep, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enem. Acesso em: 20 set. 2026.
BRASIL. Ministério da Educação. Enem 2026: cartilha da redação está disponível. Brasília: MEC, 18 set. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/mec/pt-br/assuntos/noticias/2026/setembro/enem-2026-cartilha-da-redacao-esta-disponivel. Acesso em: 20 set. 2026.
BRASIL. Presidência da República. Manual de Redação da Presidência da República. 2. ed. rev. e atual. Brasília: Presidência da República, 2002. Disponível em: https://geomatica.ufpr.br/wp-content/uploads/2015/04/Manual-Redacao-Presidencia-Republica.pdf. Acesso em: 20 set. 2026.
