Como estudar para o Enem 2026 nos últimos 60 dias: plano semana a semana
O Enem 2026 será aplicado em 8 e 15 de novembro, segundo o Inep, e a prova reúne 5.055.818 inscritos confirmados. A menos de dez semanas do primeiro dia, o que muda a nota não é ver matéria nova, e sim revisar com prática de teste e revisão espaçada, as duas técnicas classificadas como de alta utilidade na revisão de Dunlosky e colegas, publicada em 2013.
Pontos-chave
- As provas do Enem 2026 acontecem em 8 e 15 de novembro, com portões abertos às 12h, fechados às 13h e início às 13h30, no horário de Brasília, conforme o Inep.
- O Enem 2026 tem 5.055.818 inscritos confirmados, alta de 5,08% sobre os 4.811.338 de 2025, segundo balanço do MEC divulgado pela Agência Brasil.
- No Enem 2025, a abstenção foi de 27% no primeiro dia, e apenas 70% dos inscritos fizeram as duas etapas da prova.
- A prova tem 180 questões objetivas divididas em quatro áreas do conhecimento, mais uma redação em texto dissertativo-argumentativo, de acordo com o Inep.
- A redação vale até 1.000 pontos, distribuídos em cinco competências de 0 a 200 pontos cada, corrigidas por dois avaliadores independentes.
- A revisão de 10 técnicas de estudo publicada na Psychological Science in the Public Interest classificou prática de teste e prática distribuída como de alta utilidade, e sublinhar e reler como de baixa utilidade.
- A nota do Enem abre acesso ao Sisu, que ofertou mais de 274 mil vagas em 136 instituições públicas na edição de 2026.
Quando é o Enem 2026 e quanto tempo falta para a prova?
O Enem 2026 será aplicado em dois domingos, 8 e 15 de novembro de 2026. Contando a partir de 8 de setembro de 2026, faltam 61 dias para o primeiro dia de prova, ou pouco menos de nove semanas de estudo útil.
Nos dois dias de aplicação, os portões dos locais de prova abrem às 12h e fecham às 13h, no horário de Brasília, e as provas começam às 13h30, segundo o Inep. O primeiro dia termina às 19h e o segundo, às 18h30. Quem mora em estados com fuso diferente precisa converter o horário local, porque a referência oficial é sempre Brasília.
O calendário do Enem 2026 tem outras datas relevantes. As inscrições ocorreram de 25 de maio a 5 de junho de 2026, com taxa de R$ 85 e pagamento até 10 de junho, conforme o edital publicado pelo Inep. Estudantes concluintes da rede pública tiveram inscrição automática e precisaram apenas indicar a língua estrangeira e responder ao questionário socioeconômico.
Há ainda uma aplicação específica, o Enem PPL 2026, destinado a pessoas privadas de liberdade e a jovens sob medida socioeducativa, marcado para 15 e 16 de dezembro, com inscrições de 5 a 23 de outubro. Em 2026, o exame também passa a integrar o Saeb para avaliação da educação básica, com aplicação em mais de dez mil escolas públicas estaduais.
| Informação | Dado | Fonte |
|---|---|---|
| Datas das provas | 8 e 15 de novembro de 2026 | Inep, 2026 |
| Abertura e fechamento dos portões | 12h e 13h (horário de Brasília) | Inep, 2026 |
| Início e término do primeiro dia | 13h30 às 19h | Inep, 2026 |
| Início e término do segundo dia | 13h30 às 18h30 | Inep, 2026 |
| Inscritos confirmados | 5.055.818 | MEC via Agência Brasil, 2026 |
| Variação sobre 2025 | Alta de 5,08% (2025: 4.811.338) | MEC via Agência Brasil, 2026 |
| Taxa de inscrição | R$ 85 | Edital do Enem 2026, Inep |
| Aplicação do Enem PPL | 15 e 16 de dezembro de 2026 | Inep, 2026 |
Fonte: elaboração própria com base em Inep (2026), Agência Brasil (2026) e edital do Enem 2026.
Por que os últimos 60 dias decidem a nota mais do que o primeiro semestre?
A reta final concentra três vantagens que nenhum outro período do ano oferece: o conteúdo já foi visto pelo menos uma vez, o cansaço ainda não virou desistência e a memória do que for revisado agora chega mais fresca ao dia da prova. É por isso que a revisão espaçada tem tanto efeito nesta fase.
Os números do Enem 2025 mostram onde a maioria perde a disputa. A abstenção no primeiro dia foi de 27%, com mais de 4,8 milhões de inscritos habilitados. Segundo Camilo Santana, ministro da Educação, “A abstenção manteve a média e aumentou o número de participantes”. No total, cerca de 70% dos inscritos fizeram as duas etapas da prova, e 1,7 mil participantes foram eliminados no segundo dia por comportamentos vedados pelo edital.
Traduzindo para o seu caso: de cada dez pessoas inscritas ao seu lado, três não aparecem. A primeira decisão estratégica dos últimos 60 dias, portanto, é simplesmente garantir que você estará nas duas provas, inteiro e no horário. Isso significa cuidar de sono, deslocamento e local de prova com a mesma seriedade com que se cuida de conteúdo.
A recompensa está no que a nota abre. O Sisu 2026 ofertou mais de 274 mil vagas em 136 instituições públicas, distribuídas em mais de 7.300 cursos e 587 municípios, exigindo a nota do Enem 2025 e redação diferente de zero. Para estudantes da rede pública, há ainda o incentivo do Pé-de-Meia, criado pela Lei nº 14.818, de 16 de janeiro de 2024, que “Institui incentivo financeiro-educacional, na modalidade de poupança, aos estudantes matriculados no ensino médio público”. O Art. 5º, § 5º da lei determina que os aportes vinculados à conclusão do ano letivo e à participação no Enem só podem ser resgatados após a obtenção do certificado de conclusão do ensino médio.
O que cai no Enem 2026 e como a prova é montada?
O Enem é composto por 180 questões objetivas, divididas em quatro áreas do conhecimento (linguagens, códigos e suas tecnologias; ciências humanas e suas tecnologias; ciências da natureza e suas tecnologias; matemática e suas tecnologias), mais uma redação em texto dissertativo-argumentativo a partir de uma situação-problema, conforme o Inep. Cada área tem 45 questões, segundo o edital do Enem 2026.
A distribuição entre os dois dias muda completamente a estratégia de prova. No primeiro domingo, o participante enfrenta linguagens, ciências humanas e a redação em 5h30, o que exige administrar tempo entre 90 questões e um texto que precisa ser planejado, escrito e passado a limpo. No segundo domingo, são ciências da natureza e matemática em 5h, com 90 questões que costumam exigir mais cálculo e leitura de gráficos.
Participantes com direito a atendimento especializado podem ter até 60 minutos adicionais por dia de prova, conforme o edital. O exame também aceita treineiros, ou seja, quem ainda não concluiu o ensino médio e faz a prova apenas para autoavaliação, com resultado sem validade para ingresso no ensino superior.
| Dia | Provas aplicadas | Questões objetivas | Duração | Término |
|---|---|---|---|---|
| Primeiro dia (8 de novembro) | Linguagens, redação e ciências humanas | 90 | 5h30 | 19h |
| Segundo dia (15 de novembro) | Ciências da natureza e matemática | 90 | 5h | 18h30 |
| Total do exame | Quatro áreas mais redação | 180 | 10h30 | Não se aplica |
| Atendimento especializado | Tempo adicional por dia de prova | Não se aplica | Até 60 minutos extras | Conforme edital |
Fonte: elaboração própria com base em Inep (2026) e no edital do Enem 2026.
Como a redação do Enem é corrigida e o que zera a nota?
A redação do Enem é avaliada em cinco competências, cada uma pontuada de 0 a 200 pontos por dois corretores independentes, o que leva à nota máxima de 1.000 pontos. As competências avaliam o domínio da modalidade escrita formal da língua portuguesa, a aplicação de conceitos de várias áreas do conhecimento, a organização das informações e dos argumentos em defesa de um ponto de vista, o conhecimento dos mecanismos linguísticos necessários para a construção da argumentação e a proposta de intervenção para o problema abordado.
A estrutura tem regras objetivas de extensão. O texto precisa ter no mínimo 8 linhas, já que redações com até sete linhas recebem nota zero, e no máximo 30 linhas. Essa é a primeira conta que todo candidato deveria treinar: escrever quatro ou cinco parágrafos dentro desse espaço, sem depender de improviso no dia.
Vale mais decorar a lista de situações que zeram a redação do que qualquer repertório sofisticado. Zeram o texto: fuga ao tema, folha em branco, extensão insuficiente, texto em língua estrangeira, marcas de identificação na folha, estrutura que não seja dissertativo-argumentativa e conteúdo desrespeitoso ou que invalide deliberadamente o texto.
Nos últimos 60 dias, a rotina mais rentável para a redação é simples e regular: uma redação completa por semana, cronometrada em 60 minutos, sempre com correção pelas cinco competências. Nove semanas produzem nove textos corrigidos, o que costuma valer mais do que dezenas de leituras sobre teoria da argumentação.
O que a ciência diz sobre a forma mais eficiente de estudar?
A revisão mais citada sobre o tema avaliou 10 técnicas de estudo e concluiu que apenas duas têm alta utilidade comprovada: prática de teste (responder questões e se autoavaliar) e prática distribuída (espalhar o estudo ao longo do tempo, em vez de concentrar). O trabalho é assinado por John Dunlosky, Katherine A. Rawson, Elizabeth J. Marsh, Mitchell J. Nathan e Daniel T. Willingham, e foi publicado na revista Psychological Science in the Public Interest, volume 14, número 1, em 2013.
O mesmo estudo classificou como de baixa utilidade três hábitos populares entre vestibulandos: sublinhar o material, reler o conteúdo e usar mnemônicos genéricos. Segundo John Dunlosky, professor de psicologia da Kent State University, “Taking practice tests (versus merely rereading the material to be learned) can substantially boost student learning”, ou seja, fazer testes de prática eleva o aprendizado de forma substancial quando comparado a apenas reler a matéria.
Traduzido para a reta final do Enem 2026, isso significa inverter a proporção habitual de estudo. Em vez de 80% do tempo lendo resumos e 20% resolvendo questões, o mais eficiente é resolver questões na maior parte do tempo e usar a teoria como consulta para os erros. A leitura passiva dá sensação de domínio, mas é a tentativa de recuperar a informação que fixa o conteúdo.
| Técnica de estudo | Utilidade segundo Dunlosky e colegas (2013) | Como aplicar nos últimos 60 dias |
|---|---|---|
| Prática de teste | Alta | Resolver blocos de 15 a 45 questões de provas anteriores e conferir o gabarito na sequência |
| Prática distribuída | Alta | Revisitar cada matéria em intervalos crescentes, em vez de esgotar a disciplina em um único dia |
| Sublinhar o material | Baixa | Substituir por questões comentadas sobre o mesmo trecho |
| Reler o conteúdo | Baixa | Substituir por tentativa de recuperação, escrevendo de memória o que lembra do tópico |
| Mnemônicos genéricos | Baixa | Reservar apenas para listas fechadas, como fórmulas e classificações |
Fonte: elaboração própria com base em Dunlosky et al. (2013), Psychological Science in the Public Interest.
Como montar o plano de estudos dos últimos 60 dias, passo a passo?
- Faça um diagnóstico antes de montar qualquer cronograma. Resolva uma prova completa de um Enem anterior, cronometrada, e classifique cada erro por assunto. Esse mapa de erros, e não a ordem do livro didático, é o que define suas prioridades das próximas nove semanas.
- Escolha de 12 a 15 assuntos prioritários, considerando peso na prova e distância entre o seu desempenho atual e o desejado. Distribua esses assuntos ao longo das semanas, garantindo que cada um apareça pelo menos duas vezes até novembro. Repetir com intervalo é o que caracteriza a prática distribuída.
- Monte a semana com blocos fixos e realistas. Reserve cinco ou seis dias de estudo, cada um com dois ou três blocos de 50 minutos, e deixe um dia mais leve para revisão e descanso. Um plano cumprido de três horas por dia vale mais do que um plano ambicioso de oito horas abandonado na segunda semana.
- Comece cada bloco resolvendo questões, não lendo teoria. Faça de 15 a 20 questões do assunto do dia, corrija na sequência e só então volte ao conteúdo dos itens errados. Essa ordem transforma a teoria em resposta a uma dúvida concreta, o que aumenta a retenção.
- Registre os erros em um caderno único, com o assunto, o motivo do erro e a correção em uma linha. Distinga o erro de conteúdo do erro de interpretação e do erro de desatenção, porque cada um exige um tratamento diferente. Revisar esse caderno é a revisão mais eficiente que existe na reta final.
- Escreva uma redação por semana, cronometrada em 60 minutos, dentro do limite de 8 a 30 linhas. Corrija pelas cinco competências, atribuindo nota de 0 a 200 em cada uma, e anote qual competência ficou mais baixa. Na semana seguinte, ataque exatamente essa competência.
- Faça pelo menos três simulados completos até novembro, em domingos, no mesmo horário da prova, das 13h30 às 19h. O objetivo não é a nota, e sim treinar resistência, ritmo de leitura e controle do tempo entre questões e redação.
- Reserve os últimos sete dias para revisão leve e logística. Nessa semana, revise apenas o caderno de erros e fórmulas, confirme o local de prova, planeje o deslocamento para chegar antes das 12h e ajuste o sono para acordar e dormir nos mesmos horários dos dias de prova.
Onde a rotina de estudos da reta final costuma falhar?
Quase todo plano de estudos de dois meses fracassa pelos mesmos motivos, e nenhum deles tem a ver com inteligência ou com falta de material disponível. Reconhecer o gargalo é mais barato do que trocar de método a cada duas semanas.
- Cronograma superdimensionado, com oito horas diárias de estudo que ninguém sustenta depois da primeira semana, gerando culpa e abandono.
- Excesso de teoria e falta de questões, o que produz a sensação de estudo sem a prática de recuperação que efetivamente fixa o conteúdo.
- Estudo concentrado por disciplina, com uma semana inteira dedicada a uma matéria e nenhuma revisão dela até a prova.
- Correção superficial dos simulados, quando o participante confere a nota e não analisa cada erro por motivo.
- Redação tratada como último item da lista, escrita apenas duas ou três vezes antes de novembro.
- Consumo de conteúdo em vídeo sem produção própria, que ocupa horas do dia e deixa pouco registro recuperável na memória.
- Sono irregular e virada de noite, que comprometem justamente a consolidação do que foi estudado durante o dia.
Quais erros mais custam pontos nas últimas semanas antes do Enem?
- Começar assunto novo em outubro: a consequência é chegar a novembro com muitos tópicos pela metade e nenhum consolidado.
- Ignorar a redação até a última quinzena: a consequência é entrar na prova sem repertório organizado e sem controle de tempo, arriscando os 1.000 pontos que a competência de proposta de intervenção ajuda a compor.
- Não cronometrar os treinos: a consequência é ficar sem tempo no primeiro dia, quando 90 questões e uma redação precisam caber em 5h30.
- Estudar apenas o que se gosta: a consequência é reforçar a área já dominada e deixar intacta a área que mais derruba a média final.
- Desprezar a logística do dia da prova: a consequência é a eliminação por atraso, já que os portões fecham às 13h, ou o desgaste de um deslocamento mal planejado.
- Levar material ou objeto vedado pelo edital: a consequência é a eliminação, como aconteceu com 1,7 mil participantes no segundo dia do Enem 2025.
- Passar a véspera revisando conteúdo novo: a consequência é ansiedade alta e sono curto, dois fatores que atrapalham a recuperação de memória no dia seguinte.
Como a Central de Ensino ajuda na reta final do Enem 2026?
A Central de Ensino publica conteúdo e materiais de apoio para quem estuda e para quem ensina, com um princípio editorial simples: explicar com clareza, indicar as fontes e manter tudo gratuito. Na reta final do Enem, isso se traduz em três frentes de conteúdo organizadas por categoria no site.
A primeira é a cobertura do exame em si, com datas, regras e formas de ingresso, reunida na seção de conteúdos sobre ENEM e vestibulares. A segunda é o método, com material sobre técnicas de estudo baseadas em evidências, como prática de recuperação e revisão espaçada. A terceira é a prova que mais assusta, com os conteúdos de português e redação voltados às cinco competências avaliadas pelo Inep.
Todo material publicado passa por checagem de fatos em fontes oficiais e por revisão humana antes de ir ao ar, conforme a política editorial da Central de Ensino. Quando um dado não pode ser confirmado em fonte primária, ele não entra no texto, e é por isso que cada número deste artigo aparece com a instituição e o ano ao lado.
Perguntas frequentes sobre o Enem 2026
Quando é o Enem 2026?
O Enem 2026 será aplicado em dois domingos: 8 e 15 de novembro de 2026, segundo o Inep. Há ainda a aplicação do Enem PPL, destinada a pessoas privadas de liberdade e a jovens sob medida socioeducativa, marcada para 15 e 16 de dezembro de 2026.
Que horas começam as provas do Enem 2026?
As provas do Enem 2026 começam às 13h30, no horário de Brasília, nos dois dias de aplicação, conforme o Inep. Quem estiver em estado com fuso horário diferente precisa converter o horário local, porque a referência oficial do exame é sempre o horário de Brasília.
A que horas os portões fecham no Enem 2026?
Os portões dos locais de prova do Enem 2026 abrem às 12h e fecham às 13h, no horário de Brasília, de acordo com o Inep. Quem chega depois das 13h não entra e é eliminado do exame, sem direito a segunda chamada nessa condição.
Quanto tempo dura cada dia de prova do Enem 2026?
O primeiro dia dura 5h30, das 13h30 às 19h, e reúne linguagens, ciências humanas e a redação. O segundo dia dura 5h, das 13h30 às 18h30, com ciências da natureza e matemática. Participantes com atendimento especializado podem ter até 60 minutos adicionais por dia.
Quantas questões tem o Enem 2026?
O Enem tem 180 questões objetivas, divididas em quatro áreas do conhecimento, mais uma redação em texto dissertativo-argumentativo, conforme o Inep. Cada área do conhecimento tem 45 questões, segundo o edital do Enem 2026, o que resulta em 90 questões por dia de prova.
Quantos inscritos tem o Enem 2026?
O Enem 2026 tem 5.055.818 inscritos confirmados, segundo balanço do Ministério da Educação divulgado pela Agência Brasil em julho de 2026. O número representa alta de 5,08% em relação aos 4.811.338 participantes de 2025, mas fica abaixo do recorde de 8.722.290 registrado em 2014.
Dá tempo de estudar para o Enem em 60 dias?
Dá, desde que o objetivo seja revisar e treinar, não aprender tudo do zero. Em 61 dias cabe um ciclo completo de diagnóstico, revisão espaçada dos assuntos prioritários, nove redações corrigidas e três simulados cronometrados, que é o que costuma render ganho real de nota.
Quantas horas por dia é preciso estudar na reta final do Enem?
Não existe número oficial, e o critério útil é a consistência. Dois ou três blocos diários de 50 minutos, cumpridos em cinco ou seis dias por semana, sustentam a rotina até novembro melhor do que jornadas de oito horas abandonadas na segunda semana de outubro.
É melhor ver conteúdo novo ou revisar nos últimos dois meses?
Revisar rende mais. A prática distribuída, que consiste em revisitar o mesmo conteúdo em intervalos ao longo do tempo, foi classificada como técnica de alta utilidade na revisão de Dunlosky e colegas de 2013. Conteúdo inédito só compensa quando é assunto de alta incidência ainda desconhecido.
Quantos simulados fazer nos últimos 60 dias do Enem 2026?
Pelo menos três simulados completos, feitos em domingos e no mesmo horário da prova, das 13h30 às 19h. O simulado treina resistência e gestão de tempo, duas variáveis que decidem nota tanto quanto conteúdo, já que o primeiro dia exige 90 questões e uma redação em 5h30.
Como a redação do Enem é corrigida?
A redação do Enem é avaliada em cinco competências, cada uma pontuada de 0 a 200 pontos por dois corretores independentes, com nota máxima de 1.000 pontos. As competências vão do domínio da norma formal da língua portuguesa até a elaboração de uma proposta de intervenção para o problema apresentado.
O que zera a redação do Enem?
Zeram a redação do Enem: fuga ao tema, texto em branco, extensão insuficiente, texto em língua estrangeira, marcas de identificação na folha, estrutura que não seja dissertativo-argumentativa e conteúdo desrespeitoso ou que invalide o texto deliberadamente. São regras objetivas, aplicadas independentemente da qualidade do restante do texto.
Quantas linhas a redação do Enem precisa ter?
A redação do Enem precisa ter no mínimo 8 linhas, já que textos com até sete linhas recebem nota zero, e no máximo 30 linhas. Treinar quatro ou cinco parágrafos dentro desse limite, com tempo cronometrado, evita a surpresa de ficar sem espaço no dia da prova.
Grifar o livro e reler a matéria funcionam para estudar?
Funcionam pouco. A revisão de 10 técnicas publicada na Psychological Science in the Public Interest em 2013 classificou sublinhar o material, reler o conteúdo e usar mnemônicos genéricos como técnicas de baixa utilidade. O tempo gasto nelas rende mais quando é convertido em resolução de questões.
O que é prática distribuída e como aplicar no Enem?
Prática distribuída é espalhar o estudo de um mesmo assunto ao longo do tempo, em vez de concentrá-lo em um único dia. Na prática, cada assunto prioritário deve aparecer pelo menos duas vezes no seu cronograma até novembro, com intervalo de dias entre as sessões.
O que é prática de teste e por que ela funciona?
Prática de teste é responder questões e se autoavaliar, em vez de apenas revisar o material. Segundo John Dunlosky, professor de psicologia da Kent State University, fazer testes de prática aumenta substancialmente o aprendizado em comparação com a simples releitura, porque exige recuperar a informação da memória.
Quem ainda não concluiu o ensino médio pode fazer o Enem?
Pode, na condição de treineiro. Nesse caso, conforme o Inep, os resultados servem exclusivamente para autoavaliação de conhecimentos e não valem para ingresso no ensino superior. Quem já concluiu ou está concluindo o ensino médio participa na condição regular, com nota válida para os programas de acesso.
Fazer o Enem dá direito a algum benefício financeiro?
Para estudantes da rede pública inscritos no Pé-de-Meia, sim. A Lei nº 14.818, de 2024, institui incentivo financeiro-educacional na modalidade de poupança, e o Art. 5º, § 5º prevê que os aportes ligados à conclusão do ano letivo e à participação no Enem só são resgatados após o certificado de conclusão.
Para que serve a nota do Enem?
A nota do Enem dá acesso ao Sisu, ao ProUni e ao Fies, além de ser aceita por instituições portuguesas com acordo de cooperação com o Inep. Na edição de 2026, o Sisu ofertou mais de 274 mil vagas em 136 instituições públicas, em mais de 7.300 cursos e 587 municípios.
Quando é o Enem PPL 2026?
O Enem PPL 2026 será aplicado em 15 e 16 de dezembro de 2026, com inscrições de 5 a 23 de outubro, segundo o Inep. A aplicação é destinada a pessoas privadas de liberdade e a jovens que cumprem medida socioeducativa que inclua privação de liberdade.
Conclusão
Faltam 61 dias para o primeiro domingo de prova, e a disputa real não é contra os 5.055.818 inscritos, e sim contra a própria rotina: no Enem 2025, apenas 70% dos inscritos fizeram as duas etapas. Um plano modesto e cumprido, com questões todos os dias, uma redação por semana e três simulados cronometrados, entrega mais pontos em novembro do que qualquer maratona de estudos improvisada em outubro. Comece hoje pelo diagnóstico e acompanhe os conteúdos de ENEM e vestibulares da Central de Ensino para não perder prazo nem regra do exame.
Como citar este artigo
ABNT: CENTRAL DE ENSINO. Como estudar para o Enem 2026 nos últimos 60 dias: plano semana a semana. Central de Ensino, 8 set. 2026. Disponível em: https://centraldeensino.com.br/como-estudar-para-o-enem-2026-ultimos-60-dias/. Acesso em: 8 set. 2026.
APA: Central de Ensino. (2026, 8 de setembro). Como estudar para o Enem 2026 nos últimos 60 dias: plano semana a semana. Central de Ensino. https://centraldeensino.com.br/como-estudar-para-o-enem-2026-ultimos-60-dias/
Referências
ALMEIDA, Daniella. Cartilha de redação do Enem 2025 está disponível para consulta. Agência Brasil, 3 out. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-10/cartilha-de-redacao-do-enem-2025-esta-disponivel-para-consulta. Acesso em: 8 set. 2026.
ALMEIDA, Daniella. Enem 2025: cerca de 70% dos inscritos fizeram as duas etapas da prova. Agência Brasil, 16 nov. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-11/enem-2025-cerca-de-70-dos-inscritos-fizeram-as-duas-etapas-da-prova. Acesso em: 8 set. 2026.
ALMEIDA, Daniella. Enem 2026 tem mais de 5 milhões de inscritos. Agência Brasil, 3 jul. 2026. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2026-07/enem-2026-tem-mais-de-5-milhoes-de-inscritos. Acesso em: 8 set. 2026.
BRASIL. Lei nº 14.818, de 16 de janeiro de 2024. Institui incentivo financeiro-educacional, na modalidade de poupança, aos estudantes matriculados no ensino médio público. Brasília: Presidência da República, 2024. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2024/lei/l14818.htm. Acesso em: 8 set. 2026.
CNN BRASIL. Sisu 2026: MEC divulga número de vagas por estado; confira lista. CNN Brasil, 13 jan. 2026. Disponível em: https://www.cnnbrasil.com.br/educacao/sisu-2026-mec-divulga-numero-de-vagas-por-estado-confira-lista/. Acesso em: 8 set. 2026.
DUNLOSKY, John. Strengthening the Student Toolbox. American Educator, outono de 2013. Disponível em: https://www.aft.org/ae/fall2013/dunlosky. Acesso em: 8 set. 2026.
DUNLOSKY, John; RAWSON, Katherine A.; MARSH, Elizabeth J.; NATHAN, Mitchell J.; WILLINGHAM, Daniel T. Improving Students’ Learning With Effective Learning Techniques: Promising Directions From Cognitive and Educational Psychology. Psychological Science in the Public Interest, v. 14, n. 1, 2013. Disponível em: https://www.psychologicalscience.org/publications/journals/pspi/learning-techniques.html. Acesso em: 8 set. 2026.
FERREIRA, Luiz Claudio. Abstenção no primeiro dia do Enem 2025 chegou a 27%. Agência Brasil, 9 nov. 2025. Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-11/abstencao-no-primeiro-dia-de-enem-2025-chegou-27. Acesso em: 8 set. 2026.
INEP. Enem. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/areas-de-atuacao/avaliacao-e-exames-educacionais/enem. Acesso em: 8 set. 2026.
INEP. Enem 2026: resultado dos recursos de atendimento especializado está disponível. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 13 jul. 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/enem/enem-2026-resultado-dos-recursos-de-atendimento-especializado-esta-disponivel. Acesso em: 8 set. 2026.
INEP. Notícias do Enem. Brasília: Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira, 2026. Disponível em: https://www.gov.br/inep/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/enem. Acesso em: 8 set. 2026.
TERRA. Enem 2026 tem edital publicado pelo Inep. Terra, 2026. Disponível em: https://www.terra.com.br/noticias/enem-2026-tem-edital-publicado-pelo-inep,63d13ce438f4c6c340a220fe38a248cbz1h9745q.html. Acesso em: 8 set. 2026.
